Veja o que o seu corpo está a sinalizar antes de se tornar evidente.
A termografia infravermelha é uma técnica de imagem não invasiva que permite avaliar a distribuição de temperatura na superfície corporal, através da captação da radiação térmica emitida pelo organismo.
Ao contrário de exames de imagem convencionais, centrados na avaliação estrutural, a termografia fornece informação sobre padrões funcionais, nomeadamente relacionados com a circulação, a atividade inflamatória e a regulação do sistema nervoso.
Neste contexto, tem vindo a ser utilizada como ferramenta complementar em diferentes áreas clínicas e de investigação.
O que é a termografia?
A termografia é um exame que capta a radiação térmica emitida pelo corpo, criando um mapa visual da temperatura da pele.
Estas variações térmicas podem refletir:
- atividade inflamatória
- alterações na circulação
- resposta do sistema nervoso
- atividade metabólica local
A análise destes padrões permite identificar assimetrias e alterações térmicas que podem justificar uma avaliação clínica mais aprofundada.
Em que contextos pode ser utilizada?
A termografia tem sido utilizada como ferramenta complementar em situações como:
- dor músculo-esquelética
- inflamação localizada ou recorrente
- alterações da circulação periférica
- edema ou retenção de líquidos
- avaliação funcional global
O que pode ser observado com a termografia?
Durante a análise termográfica, podem ser identificados diferentes padrões térmicos, nomeadamente:
- zonas de hipertermia, associadas a maior atividade inflamatória ou vascular
- zonas de hipotermia, que podem sugerir menor perfusão
- assimetrias térmicas entre lados do corpo
- padrões sugestivos de atividade local aumentada, como em áreas com maior vascularização
Estas observações podem contribuir para a interpretação clínica e orientação de investigação adicional.
Deteção funcional precoce
Um dos aspetos mais discutidos na utilização da termografia é a possibilidade de identificar alterações funcionais precoces.
Existe evidência e observação clínica que sugerem que alterações na regulação térmica podem ocorrer antes de alterações estruturais detetáveis por outros métodos de imagem.
Neste sentido, a termografia pode ter interesse na:
- identificação de áreas de possível disfunção
- orientação de avaliação clínica mais detalhada
- monitorização ao longo do tempo
Como é realizada a avaliação?
A realização de um exame termográfico requer condições controladas, de forma a garantir a fiabilidade dos resultados.
De forma geral, inclui:
- período de adaptação à temperatura ambiente
- captação de imagens com câmara termográfica de qualidade
- análise profissional dos padrões térmicos obtidos
Fatores como temperatura ambiente, atividade física prévia e exposição térmica podem influenciar os resultados, devendo ser considerados na interpretação.
Vantagens e limitações
Vantagens
- método não invasivo
- ausência de radiação
- realização rápida
- possibilidade de repetição para monitorização
Limitações
- não permite diagnóstico isolado
- é sensível a variáveis externas
- requer integração com outros dados clínicos
Enquadramento clínico
A termografia deve ser entendida como uma ferramenta complementar na avaliação funcional.
A interpretação dos seus resultados deve ser realizada por profissionais qualificados e integrada numa avaliação clínica global, podendo, quando indicado, ser complementada por outros exames de diagnóstico.
Conclusão
A termografia infravermelha constitui uma abordagem interessante na análise funcional do organismo, permitindo observar padrões térmicos associados a processos fisiológicos relevantes.
A sua utilidade reside sobretudo na capacidade de complementar a avaliação clínica, contribuir para a identificação de alterações funcionais e permitir a monitorização ao longo do tempo.
Contudo, a sua utilização deve ser sempre enquadrada de forma criteriosa e integrada, não substituindo métodos de diagnóstico convencionais.
Referências bibliográficas
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- Hildebrandt C, Raschner C, Ammer K. Medical infrared thermography in sports medicine. Sensors. 2010.
- Szentkuti A et al. Infrared thermography in biomedical applications. Period Biol. 2011.
- Petrigna L et al. Thermography in knee osteoarthritis. J Therm Biol. 2024.
